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quarta-feira, 10 de abril de 2019

Carteira de Motorista: Governo Quer Dobrar o Limite de Pontos

Foto: Reprodução
O Ministério da Infraestrutura vai enviar ao Congresso um projeto de lei que dobra o prazo de validade da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), de cinco para dez anos. A proposta também aumenta de 20 para 40 pontos o limite da pontuação de multas que leva à suspensão do documento.


As duas medidas, conforme o texto que será encaminhado ainda nesta semana ao Congresso, não serão retroativas, ou seja, só valerão a partir da aprovação da lei. Quem tiver hoje a carteira suspensa, portanto, não será anistiado e terá de cumprir a suspensão. As mudanças também não alteram o tempo de validade de carteiras que já foram emitidas.



A mudança na pontuação de multas, segundo o ministério, se baseia em experiências internacionais. A pasta não informou em quais países o limite usado é o de 40 pontos.



Trata-se de um tema caro ao presidente Jair Bolsonaro. Durante a campanha eleitoral, Bolsonaro já havia dito que pretendia aumentar de cinco para dez anos o prazo de validade da CNH. O documento passará por um processo de substituição em 2022, quando um novo modelo com chip deve ser adotado.



No Congresso, caberá a deputados federais e senadores aprovarem ou não as alterações no Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Ainda não há previsão de quando isso vai ocorrer.



No mês passado, Bolsonaro afirmou que “é quase impossível você viajar sem receber uma multa” e avisou que não haverá mais “nenhuma nova lombada eletrônica para o Brasil”. “As lombadas que porventura existam ainda, que são muitas, quando forem perdendo sua validade, a princípio… A princípio, não serão renovadas”, disse.



Exame



Na renovação da carteira de motorista, o projeto de lei defende a ampliação de cinco para dez anos da necessidade do exame de aptidão física e mental. A medida, embasada no aumento da expectativa de vida do brasileiro, valeria até os 50 anos de idade do condutor. A exceção ficaria por conta dos casos em que já houver indícios de deficiência (física ou mental) ou de avanço de enfermidade que possa comprometer a capacidade do motorista conduzir o veículo.



O governo também pretende dar mais rapidez à conclusão de casos referentes a infrações graves e gravíssimas no trânsito que tramitam nos Detrans de cada Estado. A ideia é reduzir de seis para três as instâncias que cuidam desses processos, agilizando a conclusão das ações.



Pela regra atual, a suspensão da CNH pode durar entre seis e 12 meses. Se houver reincidência e o condutor tiver sido suspenso nos últimos 12 meses, a punição estende-se para oito meses a dois anos. Ainda não há detalhamento sobre este item na nova proposta.



“Além do aprimoramento da gestão e redução do número de processos administrativos tramitando nos Detrans, a proposta endurece as penalidades referentes às condutas mais perigosas, atuando com mais rigor nos casos em que há risco de segurança no trânsito”, declarou o ministério.



Repercussão



O presidente da comissão nacional de trânsito da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Armando de Souza, disse ao jornal O Estado de S. Paulo que defende o amplo debate do tema por especialistas, integrantes do governo e parlamentares. “É preciso discutir isso para que se possa realmente aprovar essas medidas sem colocar em risco a segurança no trânsito.”



Segundo Souza, a tendência mundial é combater o índice de acidentes no trânsito por meio de campanhas educativas e redução de velocidade nas estradas. Ele menciona a Espanha como destaque no enfrentamento do problema.



Uma pesquisa do governo federal divulgada no ano passado sobre segurança nas rodovias apontou que 53,7% dos acidentes no Brasil são causados por falhas humanas, como desrespeito às leis de trânsito ou falta de atenção do próprio condutor. Segundo um levantamento do Ministério da Saúde do ano passado, as mortes por acidente de trânsito caíram no País ao longo dos últimos anos, passando de 7.952 óbitos registrados em 2010 para 5.773 em 2016, uma queda de 27,4%.


Fonte: A Tarde

terça-feira, 9 de abril de 2019

Opinião: Há margem para ampliação do Bolsa Família em Feira

Foto: Reprodução
Em março, o número de beneficiários do Programa Bolsa Família (PBF) em Feira de Santana estava aquém do estimado pelo Ministério da Cidadania, o recauchutado Ministério do Desenvolvimento Social de tempos atrás. Segundo o órgão, 31.662 famílias foram contempladas com o benefício no mês passado, o que corresponde a 66,94% da estimativa de famílias pobres no município.

Isso significa que, potencialmente, um terço das famílias com perfil para o programa não recebe o benefício. O Ministério da Cidadania constata que o “município está abaixo da meta do programa”. E recomenda a realização de “busca ativa para localizar famílias que estão no perfil do programa e ainda não foram cadastradas”.

Outra recomendação do órgão é que a “gestão também deve atentar para a manutenção da atualização cadastral dos beneficiários, para evitar que as famílias que ainda precisam do benefício tenham o pagamento interrompido”. Ou seja: além do empenho na busca por quem ainda não é beneficiário, é fundamental a atenção com quem já está no programa.

O total de beneficiários, em março, correspondeu a 12,33% da população total da Feira de Santana. O montante destinado aos beneficiários alcançou R$ 3,736 milhões. O valor do benefício médio repassado para cada família alcançou R$ 118,03, também segundo o ministério. Cada real investido na iniciativa representa um retorno de R$ 1,78 no Produto Interno Bruto – PIB do município.

Apesar dos adversários iracundos – e, frequentemente, sem argumentos convincentes, aferrados à cultura escravocrata do século XIX – o Bolsa Família se firmou desde o início da década passada como uma das mais elogiáveis iniciativas de transferência de renda do País. E foi empregado como modelo para iniciativas similares em outras nações.

Quem tem um mínimo de sensibilidade social – e raciocina para além das colorações partidárias – costuma defendê-lo. E, contrariando o que imaginam os frenéticos “liberais” de mídias sociais, a iniciativa tem, inequivocamente, nítida inspiração liberal. As premiações e os elogios de organismos multilaterais, portanto, não são à toa, nem são coisa de comunista.

Em texto recente ressaltamos a importância da iniciativa, sobretudo nos últimos anos, quando a crise econômica extinguiu mais de 12 mil postos formais de trabalho aqui na Feira de Santana. Nesse momento de aumento da vulnerabilidade social, a iniciativa deveria ser reforçada e não o contrário: ao invés do enxugamento, expansão para atender àqueles mais expostos à fome.

Quem anda pela Feira de Santana percebe, sem muito esforço, o aumento da pobreza e da miséria. Mendigos, crianças esmolando, catadores de materiais recicláveis e enxames de ambulantes tornaram-se, novamente, muito comuns na paisagem urbana.

Muitos, provavelmente, integram essas famílias com perfil para o programa, mas sem acesso ao benefício.

Fonte: Tribuna Feirense por: André Pomponet